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Boas Práticas de Manejo

O controle da principal praga que ataca a cultura do milho, a Lagarta do Cartucho (S. frugiperda), é motivo preponderante pelo qual os agricultores brasileiros fazem uso de híbridos de milho geneticamente modificados, que expressam proteínas tóxicas às populações suscetíveis do referido inseto.

Após a primeira liberação para comercialização de híbridos geneticamente modificados – os quais produzem proteínas oriundas da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), tóxicas a específicos grupos de insetos – a adoção da tecnologia pelos agricultores brasileiros ocorreu de forma muito rápida, atingindo atualmente aproximadamente 85% de toda a semente de híbrido de milho comercializada no país.

A tecnologia Bt é um fator eficiente na redução dos custos de produção, pela menor necessidade de inseticidas, assim como do número de aplicações, porém, não se pode considerá-la isoladamente como técnica de controle de insetos. Se medidas de controle complementares não forem adotadas, o incremento destas populações resistentes é inevitável e exponencial, implicando na perda de eficiência da tecnologia e, consequentemente, na falha do controle destes insetos à campo.

Todas as tecnologias Bt disponíveis no mercado que codificam tolerância a insetos da ordem lepidóptera no milho, soja e algodão, são basicamente originadas a partir de uma mesma bactéria: o Bacillus thuringiensis. Este é um ponto que precisa ser bem compreendido, pois este estreitamento de opções e a falta de perspectiva de surgimento de novas tecnologias leva a necessidade primordial de adotar práticas complementares que visem ampliar a durabilidade da tecnologia Bt no milho, algodão ou soja, e desta forma preservar o valor direto e indireto desta na maximização da renda do agricultor.

Não é de hoje os esforços no processo de estabelecer um nível maior de conhecimento sobre o assunto são dispendidos por várias entidades, empresas e até o governo, no intuito de incrementar a adoção das práticas de Manejo Integrado de Pragas (MIP), no qual a utilização de híbridos e variedades Bt também está incluída, como parte deste manejo. O MIP é um sistema que associa o ambiente e a dinâmica populacional da espécie, utilizando todas as técnicas e os métodos apropriados, mantendo a população da praga em níveis abaixo daqueles que ocasionam dano econômico.

As melhores práticas de manejo são um conjunto de ações que tem por objetivo a redução da pressão de seleção causada pelo uso contínuo de agentes de controle – neste caso, inseticidas oriundos de biotecnologias ou inseticidas sintéticos/biológicos – buscando a redução do risco de seleção de indivíduos resistentes e, consequentemente, a evolução de populações resistentes, aumentando assim, a durabilidade da tecnologia e preservando seu valor para o agricultor. Quanto maior o número de práticas adotadas concomitantemente na propriedade/ou região produtora, mais efetivos serão estes esforços.

Dentre outras práticas, são consideradas mais efetivas:

1) Dessecação antecipada:

As culturas antecessoras, assim como as plantas daninhas e voluntárias presentes no ambiente, funcionam como plantas hospedeiras para as principais pragas que atacam a cultura do milho na fase inicial, podendo influenciar a espécie predominante e a pressão inicial das pragas. Assim, no sistema de plantio direto, a pressão de pragas na fase inicial da cultura pode ser maior quando comparado ao sistema de plantio convencional.

A dessecação antecipada da cobertura vegetal tem como objetivo disponibilizar palhada seca sobre o solo, facilitando a operação do plantio e promovendo a proteção do solo. O momento ideal das aplicações de herbicida pode variar de acordo com as condições climáticas e o sistema de plantio utilizado. Além disso, a dessecação antecipada da palhada contribui para a redução de população de pragas iniciais.

Em casos de alta pressão de praga, principalmente na presença de lagartas remanescentes da palhada, recomenda-se aplicação de inseticidas no pré-plantio, pois lagartas grandes são, de modo geral, menos suscetíveis a proteínas Bt, sobrevivendo mais facilmente à exposição do milho Bt, podendo acelerar o processo de desenvolvimento de resistência.

2) Uso de sementes certificadas:

As sementes certificadas tem a origem controlada, proporcionando ao produtor segurança sobre a pureza genética e qualidade fisiológica da variedade adquirida e seus benefícios, como características agronômicas e potencial produtivo.

3) Uso de tratamento de sementes com inseticidas:

O Tratamento de Sementes (TS) é uma prática que tem como finalidade o controle de pragas subterrâneas e iniciais da cultura, período de grande suscetibilidade às pragas. O uso desta prática é importante para o estabelecimento do stand da lavoura, já que os danos causados por essas pragas resultam em falhas na lavoura devido ao ataque às sementes após a semeadura, danos às raízes após a germinação e à parte aérea das plantas recém-emergidas. Considerando o manejo de resistência de insetos, o uso de TS auxilia no estabelecimento de plantas nas áreas de refúgio, e serve como um diferente modo de ação em áreas Bt na fase inicial de desenvolvimento da lavoura.

4) Adoção de áreas de refúgio estruturado efetivo:

A área de refúgio no manejo de resistência de insetos nas culturas com a tecnologia Bt tem como função produzir uma abundância de insetos suscetíveis que irão cruzar com os raros insetos resistentes provenientes das áreas plantadas com tecnologia Bt, reduzindo assim, a possiblidade de desenvolvimento de populações resistentes.

Quanto maior o número de aplicações de inseticidas em áreas de refúgio, menor sua efetividade como ferramenta de MRI. Entretanto, devido à alta pressão de pragas em áreas tropicais, entende-se que implementação de áreas de refúgio sem nenhuma intervenção na população de pragas não é uma prática viável. Assim, o foco da nova proposta de refúgio é reduzir ao máximo o número de aplicações de inseticidas, focando apenas no controle de pragas na fase inicial da cultura, janela mais importante para seu estabelecimento.

A proposta de manejo de áreas de refúgio de milho, visando otimizar a sua efetividade como ferramenta de MRI, baseia-se nas seguintes recomendações:
  • Adoção de 10% de área de refúgio estruturado efetivo;
  • O plantio da área de refúgio estruturado efetivo pode ser feito de diversas maneiras, desde que seja mantida uma distância máxima de 800 metros de distância da área com milho Bt. Entretanto, para uma maior efetividade da área de refúgio como ferramenta de MRI, recomenda-se a sua implantação em faixas, ou dentro do mesmo bloco, favorecendo, assim, o acasalamento aleatório entre indivíduos provenientes das áreas de Bt e refúgio;
  • Uso opcional de tratamento de sementes com inseticida;
  • Uso de inseticidas - Nas áreas de refúgio (milho não Bt), para o controle da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) as aplicações de inseticidas deverão ser feitas quando 20% das plantas atingirem o nível 3 da Escala Davis (raspagens iniciais). Para garantir a efetividade do refúgio como ferramenta de MRI, recomendam-se no máximo duas pulverizações até o estágio V6 (seis folhas verdadeiras). Idealmente, as pulverizações da área de refúgio devem acontecer simultaneamente às pulverizações da área com milho Bt.

Consideramos ser essa a melhor relação entre o dano econômico e o refúgio estruturado efetivo como produtor de insetos suscetíveis.

Importante salientar que as principais empresas de sementes que atuam no mercado brasileiro, concordaram em seguir e difundir as orientações do Comitê Brasileiro de Ação à Resistência de Inseticidas (IRAC- BR), que tem como missão orientar o uso de produtos fitossanitários de maneira sustentável.

5) Controle de plantas daninhas e voluntárias:

Algumas plantas daninhas podem ser importantes hospedeiras para insetos pragas, permitindo que uma quantidade significativa de insetos sobreviva nas áreas de cultivo no período de entressafra. Além disso, ervas-daninhas podem ser fonte de lagartas em ínstares mais avançados, as quais apresentam maior dificuldade de controle pelas tecnologias Bt. A movimentação de lagartas entre plantas Bt e daninhas pode acarretar em exposição subletal dos insetos, aumentando sua taxa de sobrevivência no campo e, consequentemente, o risco de evolução de resistência.

Certas práticas podem contribuir para o controle eficaz das ervas daninhas, assim como para a prevenção da resistência aos herbicidas, tais como:

  • I. Não deixar áreas em pousio: empregar as práticas integradas de manejo de plantas daninhas durante o ano, focando o manejo do banco de sementes (rotação de culturas e coberturas);
  • II. Começar a cultura no limpo: aplicar um controle efetivo antecipadamente no pré-plantio e, se necessário, usar um pré-emergente em áreas de elevada pressão de plantas daninhas;
  • III. Utilizar a dose e o momento correto de aplicação dos produtos no sistema de manejo, observando-se as melhores condições de aplicação;
  • IV. Utilizar o manejo pós-colheita: associação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação. O manejo inadequado de plantas daninhas e voluntárias pode trazer sérias consequências.
 

Plantas daninhas resistentes

 

Plantas daninhas resistentes e voluntárias

6) Monitoramento de pragas e tomada de decisão:

O monitoramento de pragas na lavoura é fundamental na tomada de decisão. Essa prática determina a situação das pragas na cultura através da avaliação adequada de incidência e pressão de pragas, danos e prejuízos que podem estar ocorrendo e da definição do momento da aplicação de inseticida. O monitoramento de pragas deve ser realizado de forma que todo o campo seja avaliado, para que a tomada de decisão seja apropriada. A avaliação poderá ser feita nos padrões de zig-zag (para danos no interior do campo), ou de perímetro (para danos na bordadura do campo), conforme apresentado na figura abaixo.

 

Assim, o monitoramento constitui-se como a base de todo e qualquer programa de manejo integrado de pragas, devendo ser uma prática rotineira realizada durante todo o ciclo da cultura. Sempre que for necessário realizar mais de uma aplicação de inseticida, deve-se alternar os modos de ação de maneira a evitar a seleção de insetos resistentes.

Atenção: Nas áreas de milho Bt com a tecnologia Leptra®, quando 4% das plantas atingirem o nível 3 da Escala Davis para lagarta-do-cartucho-do-milho, contate o Representante Comercial dos produtos marca BioGene® ou o distribuidor da sua região e verifique a necessidade de aplicação de inseticidas. Para outras tecnologias Bt oferecidas pela BioGene® (YieldGard®, Herculex® I e Optimum® Intrasect®), pulverizações devem ocorrer quando 10% das plantas apresentarem danos no nível 3 da Escala Davis.

A estratégia mais efetiva no combate à resistência de insetos a táticas de controle é implantar diversas práticas simultaneamente para retardar sua ocorrência e, para maior efetividade, estas devem ser implantadas antes do seu desenvolvimento. Para tanto, recomenda-se a implantação de programas de MRI como componente de um programa mais amplo de MIP, cobrindo três componentes básicos: monitoramento do complexo de pragas no campo e mudanças na densidade populacional, foco em níveis de dano econômico e de manejo de resistência, e integração de múltiplas estratégias de controle.

 

 

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