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28/01/2015

Mosca Branca – Desafio para os Agricultores

Introdução/Importância da Praga

Nos últimos anos a infestação de mosca branca tem tomado grandes proporções nas lavouras brasileiras, principalmente no Mato Grosso do Sul, oeste da Bahia e alguns municípios de Goiás. Nesta última safra foi a vez do Mato Grosso, com lavouras de soja sofrendo grande incidência desta praga, preocupando os agricultores. A mosca branca esteve presente em todas as regiões do estado, com maior incidência nas lavouras plantadas mais tarde com cultivares de ciclo tardio.

Este inseto tem saído da condição de praga secundária da cultura da soja para se tornar uma grande dor de cabeça aos produtores. A pesar de sua recente explosão populacional, a mosca branca está presente no país desde 1923 (Bondar, 1928), ano que foram feitos os primeiros relatos de sua presença.
 

Espécie e Descrição

Apesar de ser comumente chamada de mosca-branca, a B. tabaci não é uma mosca. Ela se parece mais como uma pequena mariposa. É um inseto da ordem Hemiptera, subordem Sternorryncha e família Aleyrodidae, com aproximadamente 126 gêneros e mais de 1.200 espécies, sendo B. tabaci a mais importante e amplamente distribuída. Além de muito pequenos, os adultos de B. tabaci são muito ágeis e apresentam coloração branca a olho nu mas, se observado com lupa, apresentam uma coloração amarelo-pálido em virtude da cor do seu abdômem.

A temperatura e o tipo de alimento disponível para o inseto pode afetar todo seu ciclo, que pode variar de 21 a 28 dias, com uma temperatura ao redor de 25 ºC. Períodos quentes e secos favorecem a proliferação da B. tabaci, podendo inviabilizar o cultivo de algumas espécies em determinados períodos do ano.

As fêmeas de B. tabaci, biótipo B apresentam um tamanho em torno de 0,9 mm e os machos 0,8 mm. Na fase adulta apresenta dois pares de asas membranosas recobertas por uma substância pulverulenta branca que permite que sejam encontradas em até 7 Km da planta hospedeira e 300 m de altura. Os ovos são depositados de forma irregular na parte inferior das folhas e presos por pequeno pedicelo, local preferido dos adultos e ninfas. Normalmente cada fêmea coloca de 150 a 160 ovos. Os ovos são muito pequenos, possuem cerca de 0,2 mm e um formato alongado com um pedúnculo de cor branca amarelada que se torna marrom e escura no final. Esta fase pode durar 5 a 7 dias, dependendo da temperatura e da planta hospedeira. Após isso, eclode a ninfa, que no início mede cerca de 0,3 mm de comprimento e é transparente, sendo nas primeiras horas de vida móvel e após escolher o local fixa-se de maneira semelhante a cochonilhas, medindo já cerca de 0,6 mm. Após 15 dias, aproximadamente, a ninfa se transforma em adulto através de uma abertura em T invertido, ficando um envólucro translucido fixado na planta hospedeira. Os adultos voam de preferência a noite e nos períodos mais frescos do dia.


Biologia e Danos

Na soja destacam-se o vírus do mosaico anão, o vírus do mosaico crespo da soja e o vírus da necrose da haste, pertencente ao grupo dos Carlavírus que pode provocar a morte das plantas, porém fontes de resistência a este vírus já foram isoladas. É importante ressaltar que a transmissão de viroses é feita apenas pelo adulto que uma vez infectado pode transmitir durante toda a fase adulta.

Além deste dano, existe a formação da fumagina, causada pelo fungo Capnodium sp.. Este fungo se desenvolve sobre uma substância açucarada excretada pelo inseto durante sua alimentação, o crescimento do micélio deste fungo forma uma camada preta sobre as folhas impedindo ou dificultando absorção dos raios solares e, consequentemente, reduzindo a fotossíntese, provocando a murcha e queda prematura das folhas. Em observações de campo feitas por vários profissionais, a fumagina, dependendo da intensidade e da precocidade da incidência, pode reduzir o ciclo da planta de soja em até 15 dias.


Manejo e Controle

A palavra de ordem para um controle aceitável deste inseto é “manejo”. Devido a grande mobilidade da B. tabaci qualquer ação de manejo tem que ser adotada em conjunto com os vizinhos, caso contrário a reinfestação será muito rápida. Alguns fatores dificultam o correto manejo, dentre eles destacamos a baixa eficiência dos inseticidas usados. O número de aplicações vem aumentando, segundo relatos dos produtores, e a eficácia nem sempre é certeira.

No manejo integrado o monitoramento da área a ser plantada é de suma importância, caso haja presença de mosca branca em plantas infestantes e voluntárias é recomendado dessecação antecipada por um período de aproximadamente 15 a 21 dias anterior ao plantio. Caso não seja possível é necessário a utilização de inseticidas para controle de adultos de 3 a 4 dias antes do plantio para evitar que as plântulas não sofram uma infestação prematura.

Para o controle químico da B. tabaci alguns pesquisadores indicam inseticidas do grupo dos reguladores de crescimento específicos para mosca branca, no entanto o custo destes produtos são altos e teria que ser observado nível de dano econômico, que é um dos principais problemas por não termos sua correta determinação. Pesquisas recentes realizadas pela EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e outras instituições de pesquisa, em parceria com empresas privadas e CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), no município de Paraúna-GO, mostraram que populações de 15 ninfas por folíolo não afetou economicamente a cultura da soja. Novas pesquisas estão em andamento mas é preciso o empenho de todos os envolvidos no cultivo da soja para que se possa determinar o mais rápido possível. Em regiões onde há histórico de incidência de viroses o início de controle deve ser imediato a detecção da presença dos insetos. Atualmente o controle mais usado é a utilização de inseticidas de choque para o controle de adultos e se a população for muito alta há a opção do uso dos reguladores de crescimento, como já mencionado.

A adoção de cultivares resistentes ou tolerantes e a preservação de inimigos naturais podem ser opção ao manejo desta praga. Com relação aos inimigos naturais há relatos das joaninhas (Cycloneda sanguinea, Coleomegilla maculata, Eriopis connexa) e uma espécie de Chrysoperla têm sido observadas predando ninfas e adultos de B. tabaci. O parasitismo em ninfas de B. tabaci por microhimenopteros, também já foi observado. Ao avaliar o parasitismo de Encarsia sp. em B. tabaci, em casa de vegetação e no campo, foram encontrados 85,4% e 45,7% de insetos parasitados, respectivamente. Em certas condições, alguns dos controles naturais mais efetivos da mosca-branca são os fungos entomopatogênicos, sendo Paecilomyces fumosoroseus, Verticillium lecanii e Ashersonia spp os mais comumente encontrados em Bemisia e outras espécies de mosca-branca.

O controle da mosca branca está baseado no controle dos adultos, por utilizarem produtos com custo mais acessível. Este controle apresenta uma deficiência que é o não controle de ovos e ninfas, propiciando uma reinfestação rápida, então várias aplicações são necessárias para manter os níveis populacionais deste inseto em taxas aceitáveis. Já a utilização de produtos visando o controle de ovos e ninfas ajuda a quebrar o ciclo de visa da B. tabaci aumentando o intervalo entre as aplicações.


Considerações

Para uma melhor eficiência o controle deve ser pensado de forma a contemplar todo o sistema produtivo e não somente uma cultura, lançar mão de vazios sanitários para impedir a propagação deste inseto deve ser estudada pelas empresas de pesquisa e autoridades competentes. Lembramos que toda e qualquer aplicação de defensivos agrícolas e ou adoção de técnicas de manejo devem ser acompanhadas por um Engenheiro Agrônomo.


Bibliografia consultada.

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Autor: Alcides Gremes Ita – Agronomo de Vendas da BioGene para o MT