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26/10/2016

Planejamento da Safrinha: A importância da revisão de todos os passos para uma boa segunda safra

O milho safrinha está deixando de ser uma oportunidade de negócio para se apresentar, cada vez mais, como uma cultura essencial na vida financeira de muitas fazendas brasileiras. Desde a safra 2011/12, a área de milho safrinha é maior do que a área de milho verão, deixando assim de ser considerada “Safrinha” para ser a “Segunda Safra”.

O período de implantação da safrinha é de muita atividade dentro das propriedades agrícolas, pois coincide com parte da colheita da soja verão, dessecação de algumas áreas, aplicação de fungicidas em outras, e também com a própria operação do plantio do milho safrinha, que requer atenção e cuidados especiais. Em muitas situações podemos ver as plantadeiras praticamente “empurrando” as colhedeiras – quase podemos chamar esta, de “operação de guerra”.

Neste contexto, vários problemas podem ocorrer: desde dificuldades climáticas, qualidade do plantio, controle inicial de pragas, aplicação de fertilizantes, e outros. Desta forma, um bom planejamento e uma equipe bem treinada fazem muita diferença no período. Não basta apenas boa vontade, o pessoal responsável pela execução das operações precisa estar ciente do que fazer e como proceder. Neste caso, a palavra de ordem é treinar e treinar.

Planejar o plantio da segunda safra é algo que precisa ser feito com muita antecedência. O planejamento da safrinha não pode começar em janeiro e/ou fevereiro, mas sim na escolha da variedade de soja a ser plantada na área destinada à cultura do milho safrinha. Cultivares de soja com ciclos mais precoces podem favorecer o plantio do milho, pois liberam a área mais cedo, aumentando a janela de plantio e minimizando os riscos. Qual híbrido plantar, fertilização a ser empregada, manejo de pragas iniciais e tardias, manejo de doenças indicado para cada híbrido, tratamento de semente a ser usado, etc., são alguns pontos que devem ser observados durante o planejamento.

Após um planejamento bem construído, passamos para a execução. A operação de semeadura tem uma importância fundamental no processo, pois dela depende a correta deposição da semente no solo. É preciso levar em consideração a profundidade, a distribuição das sementes no sulco de plantio e até mesmo as condições de umidade no solo. Estes fatores, aliados a uma curta janela de plantio e adversidades climáticas, podem interferir drasticamente na qualidade do plantio. A pergunta “a quantos Km/h posso andar com o conjunto Trator-Plantadeira sem causar prejuízos à população final?” é uma das mais frequentes, e não há uma resposta padrão, já que essa informação pode depender do equipamento que está sendo usado, do sistema de distribuição da semente, uniformidade do terreno, conformação da semente e da sua adaptação ao mecanismo usado.

A correta regulagem da plantadeira ajuda a estabelecer um plantio com qualidade. A profundidade da deposição da semente, entre 3 e 5 cm do nível do solo, atende a praticamente 90% das situações de plantio, e caso seja preciso aprofundar mais pela falta de umidade ou reduzir pelo excesso de água no solo, vale refletir se não seria mais adequado aguardar condições melhores para o plantio. Se a semente ficar muito próxima à superfície pode haver comprometimento da formação das raízes nodais, ocasionado síndrome da planta frouxa.

Por ocasião do plantio, é preciso ainda observar se há ar no sulco de plantio – comum em solos mais arenosos e com excesso de umidade. Se houver condições para a germinação, a plântula pode se desenvolver nos espaços vazios, ficando com características de uma planta sem vigor. A uniformidade de profundidade da semente no sulco também é um fator que deve ser observado, uma vez que a diferença na profundidade de deposição das sementes no sulco de plantio afeta a uniformidade de emergência das plantas, o que pode gerar plantas dominadas que não terão bom desenvolvimento e produtividade. Algumas áreas usam adubo no plantio, que por sua vez precisa estar abaixo e ao lado da semente, evitando contato direto com a semente e/ou com a plântula.

A má distribuição da semente no sulco de plantio, falhas e duplas, podem causar baixo rendimento da lavoura. A grande diferença na distância entre as sementes pode gerar um alto coeficiente de variação, sendo que o ideal é abaixo de 25% (você pode fazer a avaliação de seu plantio acessando www.biogene.com.br/AvaliacaoDePlantio). A má distribuição de semente está diretamente ligada à velocidade de plantio, adequação do sistema de distribuição da plantadeira à semente, tratamento de semente empregado, uso de grafite e cano de descarga da semente. A velocidade mais indicada fica em torno de 5 Km/h, porém, uma aferição na distribuição da semente no solo vai dizer se podemos aumentar a velocidade ou até mesmo reduzir.

Com o plantio feito com qualidade, é necessário cuidar das pragas na lavoura. A praga de maior importância da lavoura de milho continua sendo a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda - J. E. Smith, 1797). Na fase inicial, esta lagarta pode desenvolver o hábito semelhante ao da lagarta rosca (Agrotis ipsilon - Hufnagel, 1767), principalmente se for remanescente da cultura anterior.

O percevejo, considerado uma praga secundária até pouco tempo atrás, passou a assumir uma posição de destaque na cultura do milho, principalmente na safrinha. O manejo inadequado deste inseto na cultura anterior vem permitindo que a população inicial seja muito alta no milho safrinha. Seus danos são permanentes e podem causar até a morte de algumas plantas. Os últimos estudos sobre o assunto indicam que este inseto precisa ser controlado até que a planta de milho atinja o estádio V6. A correta escolha do tratamento de sementes ajuda muito na fase inicial e no controle desta praga.

Um bom tratamento de semente deve atentar para o controle das principais pragas da área. Normalmente vem sendo utilizado um tratamento composto, com um ativo visando o controle de insetos sugadores e outro os mastigadores. Porém, o manejo de insetos não pode ficar ao encargo somente da biotecnologia e produtos químicos aplicados na cultura alvo. Um controle bem feito visa o Manejo Integrado das Pragas, caracterizado por um conjunto de práticas utilizadas para reduzir a população de pragas na área durante todo ano e não apenas em uma cultura ou safra. Algumas práticas, como a dessecação antecipada com ou sem a utilização de inseticida, o tratamento de semente, o controle de plantas daninhas voluntárias (muitas vezes hospedeiras de insetos), a rotação de culturas e aplicações de defensivos ajudam a reduzir a população inicial de insetos praga. Neste contexto, a palavra chave é MONITORAMENTO, este sim fornecerá subsídios para decidir qual atitude deverá ser tomada na área em questão.

Visando fortalecer o Manejo Integrado das Pragas, a BioGene oferece a tecnologia Leptra® para auxiliar no controle de alguns insetos mastigadores. É importante que a tecnologia esteja sempre aliada a um Tratamento de Semente Industrial (TSI), como o Dermacor® em conjunto com Poncho®.

É importante lembrar que qualquer incidente ou acontecimento negativo no manejo durante a implantação da lavoura ou em um estádio fenológico do desenvolvimento da cultura, não pode ser consertado na próxima fase. Se todas as condições de clima e manejo ideais forem restauradas, ainda assim teremos a manutenção do potencial determinado na fase anterior.

Poncho® é marca registrada da BAYER S.A.

 

Autor: Alcides Gremes Ita