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Artigos

10/09/2013

Técnicas de Manejo de Spodoptera frugiperda em lavouras de Milho Bt

​Praticamente com dez anos de atraso em relação aos Estados Unidos, o Brasil adentrou na era dos Organismos Geneticamente Modificados na cultura do milho em 2008, condição que anteriormente era exclusiva da soja Tolerante ao Glifosato.

Apesar dos oito anos de ensaios em estações de pesquisa que antecederam o lançamento desta tecnologia, muitas observações sobre ela só vieram à tona com a adoção e a disseminação da mesma por todas as lavouras do Brasil.

Lançar e validar a tecnologia foi um grande desafio, especialmente porque encontramos alguns ambientes em que a pressão da principal praga alvo da tecnologia Bt, a lagarta-do-cartucho, é naturalmente maior do que em outros. Isso ocorre devido a diferentes geografias e diferentes sistemas de produção existentes no Brasil.

Condições de estresse que ocorram durante a safra (veranicos, secas, altas temperaturas, fitotoxidez, desequilíbrio nutricional, etc.) podem agravar os danos provocados por estes insetos. Tais fatores são prejudiciais ao desenvolvimento normal da planta, impactando negativamente na sua capacidade de superar os danos provocados pelos insetos.

É necessário evoluir do conceito de manejo integrado de pragas (MIP) para algo mais amplo, o manejo de resistência dos insetos (MRI). Este novo conceito recomenda que a adoção plena do refúgio e a utilização de híbridos Bt sejam partes integrantes.

A utilização de híbridos Bt e a adoção do refúgio são estratégias que fazem parte do MRI, não são soluções isoladas, o que evidencia que os produtores estão manejando um sistema, e não
só a cultura do milho.

Em função dos diferentes sistemas produtivos que ocorrem no País, nem sempre é possível adotar todos estes aspectos na sua plenitude. No entanto, quanto maior o número de práticas utilizadas, menores serão as chances de ocorrer problemas referentes ao surgimento de insetos resistentes.

A tomada de decisão de realizar ou não uma aplicação complementar de inseticida na lavoura depende de uma boa amostragem.

 

São práticas de Manejo de Resistência dos Insetos

1. Monitoramento da lavoura
2. Rotação de culturas
3. Dessecação antecipada
4. Uso de inseticidas na dessecação
5. Uso complementar de inseticidas
6. Rotação de princípios ativos dos inseticidas
7. Uso de tratamento de sementes
8. Utilização de híbridos geneticamente modificados (milho Bt)
9. Adoção plena de áreas de refúgio
10. Controle de plantas daninhas

Amostragem
  • Existem duas formas de se fazer a amostragem: padrão zigue-zague ou padrão de perímetro.
  • Deve-se amostrar 20 plantas em sequência, distantes no mínimo 30 metros da entrada da lavoura.
  • São amostrados pelo menos 5 pontos da lavoura (5 subamostras), o que totaliza 100 plantas.



Fonte: Caderno de Campo Milho e Sorgo - EMBRAPA


 
Avaliação
  • Para a avaliação do nível de dano das lavouras utilize a Escala Davis e o critério de identificação do tipo de dano encontrado nas folhas.
  • Tome as notas individualmente, planta por planta, em cada subamostra de 20 plantas.
  • Conte o número de plantas que apresentam nota a partir de 3 e calcule a porcentagem em relação ao total de plantas amostradas (100).
  • Faça também a identificação da praga (certifique-se de que é uma praga-alvo da tecnologia).


 
 
 
 
 
 
 
 
 
TOMADA DE DECISÕES
 

Plantas cortadas rente ao solo ou com coração morto = Lagarta-do-Cartucho agindo como praga de solo
 
 
 
  • Quando a porcentagem de plantas cortadas ou com coração morto for superior a 3% e a lavoura se encontrar entre o estádio de desenvolvimento V1 até V6, o nível de dano foi atingido e aplicação suplementar de inseticida deverá ser realizada, preferencialmente à tardinha ou à noite, hora de maior movimentação dos insetos.
  • Lagartas menores que 1cm não conseguem provocar este dano, pois seu aparelho bucal não está totalmente desenvolvido e isto pode evidenciar que este dano está sendo provocado por insetos remanescentes da cultura anterior, provavelmente manejada sem inseticida.
Fonte: ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 2 - SETEMBRO/95 (2ª edição – ampliada e totalmente modificada)
 

 
Raspagens ou furos nas folhas (danos)
 
A duração do ciclo da lagarta é de em média 20 dias, podendo alongar-se ou encurtar-se em função de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.
 
No caso de raspagens nas folhas, V8 é considerado um estádio limite, pois a partir deste estádio fica mais difícil fazer pulverizações terrestres eficientes.
 
Quando na amostragem forem encontradas mais de 17% de plantas com nível 3 ou acima na Escala Davis, o nível de dano foi atingido e uma pulverização complementar deverá ser providenciada.
 
Existe registro de resistência destes insetos a alguns inseticidas sintéticos, sendo uma boa prática evitar pulverizações com produtos nos quais estes princípios ativos sejam o principal componente.
 
As populações de lagartas que ocorrem naturalmente em uma lavoura nunca estão no mesmo estádio de desenvolvimento. Em função disto, os inseticidas sintéticos podem não apresentar 100% de controle.
 
Quando pulverizações forem realizadas, uma nova visita precisa ser agendada ao menos cinco dias após, e nova avaliação baseada na Escala Davis providenciada, desta vez com foco especial nas folhas mais novas da planta, as folhas do cartucho.
 
 
O controle químico complementar
 
Como controle químico, temos observado uma infinidade de produtos e manejos.
 
Em condições de forte pressão de lagarta-do-cartucho e sob forte estresse hídrico e de calor, os agricultores mais tecnificados têm utilizado com êxito a dessecação antecipada das áreas em pré-plantio, usando inseticidas carbamatos, como, por exemplo, o Methomil, associado ao herbicida da dessecação.
 
Por ocasião do plantio, nas áreas onde a dessecação não pôde ser realizada com pelo menos 30 dias de antecedência ou em lavouras que historicamente têm pressão inicial maior de lagartas, estes agricultores tratam suas sementes com produtos específicos para mastigadores, associados ao inseticida que visam ao controle dos sugadores – percevejos.
 
 
No entanto, o ideal é que, após a lavoura atingir o estádio de desenvolvimento V3, se inicie o monitoramento.
 
Estes agricultores realizam avaliações diárias em suas lavouras e quando 10% de plantas atingem o nível 3 de dano da Escala Davis, uma aplicação com objetivo de controle de lagartas menores de 10mm é realizada, utilizando inseticidas à base de carbamatos (methomil, por exemplo) e uma nova avaliação da lavoura é agendada cinco dias após esta pulverização.
 
Contudo, se mesmo realizando adequadamente as alterações, ainda assim ocorrer reinfestação, ou seja, nas folhas novas da lavoura mais uma vez o nível de dano for atingido, uma segunda aplicação deverá ser providenciada e os alvos principais serão lagartas menores que 12mm.
 
A associação de inseticidas à base de Methomil (carbamatos) ou Clorantraniliprole, de 100 a 120ml/ha, associados a inseticidas reguladores de crescimento (fisiológicos), está sendo utilizada pelos agricultores mais tecnificados.
 
É importante reforçar que, a cada aplicação, reavaliações de nível de dano deverão ser realizadas na lavoura (vide esquema da página seguinte) e tantas quantas forem necessárias novas aplicações de inseticidas de diferentes modos de ação deverão ser realizadas.
 
Caso uma terceira aplicação seja necessária, se forem encontradas lagartas de até 15mm de comprimento, pode-se lançar mão de inseticidas à base de Spinosade, de 80 a 100ml/ha do produto comercial + reguladores de crescimento (fisiológicos) ou Indoxacarb 0,4l/ha do produto comercial + óleo + inseticida regulador do crescimento (fisiológico).
 
Tudo isto é levado a efeito quando as mínimas condições necessárias para uma boa pulverização para o controle da lagarta-do-cartucho são lembradas e respeitadas, evitando-se pulverizar quando a umidade relativa do ar está menor ou igual a 60%, a velocidade do vento não é maior que 13km/h, a vazão seja ao menos 120l/ha e, preferencialmente, com bicos pulverizadores direcionados para as linhas de cultivo, evitando pulverizar o solo.
 
Normalmente a umidade relativa e a velocidade do vento adequada, citadas anteriormente, ocorrem no período compreendido entre as 16 e as 10 horas, podendo determinar o sucesso ou insucesso da pulverização.
 



Monitorar e após a aplicação, caso o ataque volte ao nível de 10% de plantas raspadas, entrar novamente com a aplicação seguinte.
 
Na figura acima verificamos esta sequência de aplicações de acordo com a necessidade de modo ilustrado.
 
Quanto melhor uma operação anterior é feita, menor é a dificuldade que se entrega para a operação posterior.
 
Vamos exemplificar assim: Caso a dessecação seja muito bem feita, com antecedência superior a 30 dias, sem escapes de plantas resistentes e com uso concomitante de inseticidas para redução das populações de insetos remanescentes, provavelmente não será necessária uma aplicação complementar. Claro que tudo isto depende do sistema de produção da região onde o produtor está produzindo e este é um conceito importante.
 
Nada adiantará todos os cuidados se ao menos um produtor em uma região não fizer a sua parte, pois este poderá estar comprometendo a tecnologia Bt, qualquer que seja, não só no milho, mas também na soja e no algodão.
 
A sugestão de bom controle de lagarta-do-cartucho em milho independe de o híbrido ser convencional ou Bt. Na realidade, sob um mesmo nível de pressão do inseto, o que ocorre é que no milho convencional os níveis de dano acontecem mais cedo e em maior intensidade.
 
O fato de ainda não termos dados científicos comprovando a resistência da lagarta-do-cartucho em nada muda o manejo que temos recomendado desde o primeiro instante em que a tecnologia Bt entrou no mercado, ou seja, fazer área de refúgio, monitorar as lavouras e, se a mesma atingir o nível de dano, o controle químico com ótimos produtos, tais como o Methomil ou Spinosade ou Indoxacarb. A aplicação deverá ser feita seguindo as boas técnicas de aplicação, que vai desde a opção por pontas de aplicação, volume, época e horário de aplicação.
 
Para obtermos altas produtividades a genética tem que ser extremamente adaptada e sua associação com a tecnologia tem que ser sinérgica. Esta associação entre genética e tecnologia tem que trazer ganhos maiores do que somente o benefício da expressão para qual o gene foi introduzido. Terá que, juntamente com o manejo, manter e até mesmo aumentar os patamares de produtividade que estamos obtendo hoje.
 

"Quanto melhor uma operação anterior é feita, menor é a dificuldade que se entrega para a operação posterior."
 
 
 
Importante
 
Os princípios ativos e respectivas dosagens citados neste artigo não devem ser considerados como recomendações. As recomendações de inseticidas só podem ser feitas mediante visita no local e por profissional habilitado que identificará corretamente o inseto, avaliará corretamente o nível de ataque e estabelecerá o melhor, mais seguro e eficiente método de controle. É recomendado que antes de realizar qualquer aplicação com inseticida se procure orientação de um profissional capacitado, para que o mesmo oriente o produto mais adequado para a situação no momento, detalhando época de aplicação, dose, volume de calda e outras orientações quanto ao manuseio seguro do produto, para que assim assegure a maior eficiência no controle do inseto.



 
 
Autor: Itavor Nummer Filho - Gerente de Produtos e Tecnologia para a Região Sul