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Artigos

10/11/2015

Produtores de soja de alta produtividade devem colher bons resultados na safra 2015/16

Apesar do momento atual de crise vivenciado pelo Brasil, é possível afirmar que a valorização do dólar - que ocorreu como consequência da crise econômica e política - trouxe uma perspectiva positiva para o agronegócio, em especial para a soja.

Em função do crescimento da oferta global da oleaginosa, os preços internacionais do grão atravessam um momento de forte pressão negativa. No entanto, a desvalorização do Real perante a moeda norte-americana acabou por compensar a queda dos preços futuros registrados na Bolsa de Chicago.

Atualmente, os preços da soja ao nível Brasil estão sendo praticados na casa dos R$ 75,00, valor esse que supera em 36% os preços registrados no mesmo período do ano passado.

Por outro lado, a alta do dólar também trouxe consequências negativas, como a a alta dos preços dos insumos agrícolas, a exemplo de fertilizantes e defensivos. Em média, os custos de produção da soja para a campanha agrícola 2015/16 se encontram entre 20% a 25% mais caros quando comparados a safra anterior.

Produtores que compraram os insumos no início do ano, quando muitas empresas ainda vendiam seus estoques ao dólar do ano passado, devem colher um resultado excepcional nessa nova safra que se inicia.

A oferta de crédito, no entanto, tem sido um ponto de impacto negativo para a atividade agrícola. Em função do aumento dos juros e do menor apetite de empréstimo por parte dos bancos em função do momento atual da economia, há restrição de crédito para os produtores rurais.

Essa restrição vem retardando a comercialização de insumos agrícolas e consequentemente trazendo um certo stress ao mercado. Independente a isso, a intenção dos produtores é a de elevar a área cultivada com soja na campanha agrícola 2015/16. As primeiras estimativas apontam que a área plantada deverá crescer cerca de 3,0% em relação a campanha agrícola 2014/15, alcançando 32,7 milhões de hectares.

Em condições normais de clima, deveremos obter uma produção de 98,9 milhões de toneladas, o que representaria uma oferta recorde de soja no Brasil. Obviamente que uma produção dessa magnitude influenciaria negativamente os preços futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago, uma vez que há crescimento no volume de estoque nos principais países produtores de soja.

Nesse cenário, a taxa de câmbio passa a ter um papel fundamental nos preços do grão. Nas projeções do mercado, o dólar deve ter um valor médio de R$ 4,00 no próximo ano.

Considerando os valores atuais praticados na Bolsa de Chicago e considerando os prêmios negociados no porto de Paranaguá, o preço projetado para a soja em março do próximo ano seria cerca de R$ 75,00/saca para a região do Oeste do Paraná.

Figura 1. Paridade de exportação da soja (referência março de 2016).  

Figura 1. Paridade de exportação da soja (referência março de 2016).

Se por um lado os preços podem se valorizar em função da taxa de câmbio, por outro lado, há um aumento expressivo também dos custos de produção, em função da maior parte dos insumos serem dolarizados.

Para manter a margem da atividade, o produtor deve buscar o ganho de produtividade para compensar o aumento dos custos de produção. Na figura em sequência, é possível observar que o produtor de altíssima produtividade pode ter o dobro de margem em relação ao produtor de baixa produtividade, sem necessariamente ter o dobro do custo de produção.

Figura 2. Produtividade vs Preços da soja.

​Figura 2. Produtividade vs Preços da soja.

Do ponto de vista internacional, a China, apesar de estar em processo de desaceleração econômica, deve elevar novamente o volume de importação de soja. De acordo com projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país asiático deve importar um total de 79,00 milhões de toneladas na campanha agrícola 2015/16 ante 77,00 milhões de toneladas importadas na safra 2014/15.

Esse apetite da China deve manter as exportações do Brasil em ritmo crescente. Diante do atual cenário de desvalorização cambial, a soja brasileira ganha competitividade em relação ao produto norte-americano. Segundo projeções do USDA, o Brasil deverá exportar nessa safra que se inicia 56,5 milhões de toneladas, volume esse que superaria em 10,9 milhões de toneladas as exportações projetadas para os Estados Unidos.

Apesar do momento atual de crise, os produtores de soja de alta produtividade, devem colher bons resultados para a próxima safra. Investir em tecnologia será fundamental para atravessar esses períodos mais difíceis da economia.

Autor: Leonardo Sologuren - Engenheiro agrônomo, mestre em economia e sócio-diretor da Clarivi Consultoria