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Artigos

02/03/2017

Como Controlar Doenças na Cultura do Milho Durante a Safrinha?

Um dos maiores desafios dos agricultores e técnicos é o manejo das doenças nas mais variadas culturas. No caso do milho Safrinha, esta realidade não é diferente, e a busca por um produto ou manejo que ajude neste controle é interminável.

O Brasil está entre os principais produtores de milho, porém, o plantio nas duas épocas, safra verão e safrinha, faz com que haja um aumento expressivo na pressão de inóculos de vários patógenos em muitas regiões produtoras, por isso, temos a necessidade de conhecer muito bem todas as doenças passíveis de surgirem na Safrinha.

Sabemos que vários fatores estão diretamente relacionados com o aparecimento de doenças na cultura do milho safrinha, muitos deles estão dentro de nossa zona de influência e, neste caso, devemos trabalhar para diminuir estes problemas. Dentre os principais fatores e, com certeza, o mais importante é a escolha de um híbrido que seja adaptado à região e, principalmente, que seja tolerante ou resistente às principais doenças. Outros fatores como: a utilização de sementes de boa qualidade fisiológica e tratadas com fungicidas, rotação de culturas, manejo de tiguera, adubação balanceada (N e K), população e distribuição adequada de plantas, controle de pragas e plantas invasoras, colheita no momento correto e controle químico, são fatores de sucesso para a cultura do milho safrinha.

Dentre as principais doenças que acometem o milho safrinha podemos citar: enfezamentos e viroses, mancha branca, cercosporiose, ferrugens, helmintosporiose, podridões de colmo e grãos ardidos.

Enfezamentos

Atualmente estamos passando por uma epidemia de enfezamentos, comumente chamada de corn stunt, transmitida pela cigarrinha Dalbulus maidis e que vem causando grandes perdas nas mais variadas regiões do Brasil. Neste caso, a transmissão é feita por insetos vetores e estes devem ser controlados. A grande dificuldade é que a ampla quantidade de plantios escalonados não permite que o ciclo da praga seja quebrado. Áreas sem controle da tiguera e plantios subsequentes também contribuem muito para a propagação do patógeno.

Enfezamento Vermelho

Os sintomas típicos são o avermelhamento das folhas, produção de espigas pequenas, perfilhamento na base das plantas, encurtamento dos entrenós, seca precoce da planta e incompleto enchimento de grãos.

Enfezamento Vermelho. (Foto por Rodrigo Veras da Costa)

Enfezamento Pálido

Os sintomas típicos são estrias esbranquiçadas irregulares na base das folhas que se estendem em direção à sua ponta, amarelecimento e áreas avermelhadas nas folhas apicais também é bastante comum, além de plantas raquíticas e espigas com falhas na granação.

Exemplo de Planta de Milho com Enfezamento Pálido
Exemplo de Planta de Milho com Enfezamento Pálido

Controle de Enfezamento Vermelho e Pálido

O controle mais eficiente dessas doenças é a utilização de híbridos com maior tolerância. Outras práticas recomendadas para o manejo dessas doenças são: evitar plantio sucessivo de milho, fazer o pousio por período de dois a três meses sem a presença de plantas de milho, e alterar a época de semeadura, evitando o plantio tardio do milho.

Complexo de Mancha Branca

Esta doença é recorrente em quase todo Brasil e é bastante agressiva. Pode reduzir em mais de 70% a produtividade de uma lavoura de milho. Existem algumas controvérsias em relação ao agente causador da doença, sendo os mais apontados pelos pesquisadores a bactéria P. ananatis na fase inicial e o fungo Phaeosphaeria Maydis como oportunista.

Temperaturas noturnas amenas (15 a 20ºC), uma umidade relativa alta (>60%) e excesso de precipitação, são fatores que agravam o aparecimento e desenvolvimento da doença, essa condição climática é bastante comum nos plantios mais tardios.

Manchas com aspecto de encharcamento são observadas na fase inicial da doença, passando para manchas necróticas de coloração pálida e, posteriormente, é observado o aparecimento de pontuações escuras no centro das lesões. Estes pontos escuros são, na verdade, estruturas reprodutivas dos fungos.

Controle do Complexo da Mancha Branca

A escolha de híbridos com tolerância à Mancha Branca continua sendo o principal recurso do produtor. O controle químico também auxilia bastante no manejo da doença, porém, o momento de aplicação e os produtos utilizados são fatores fundamentais para o sucesso no manejo. A eficiência dos fungicidas convencionais é baixa e várias misturas são testadas todas as safras para ajudar os agricultores neste manejo.

Cercosporiose (Mancha Foliar)

A Cercosporiose está amplamente difundida por todo território nacional e é considerada umas das doenças mais agressivas, podendo causar perdas superiores a 80%. Os sintomas observados são manchas retangulares, de coloração cinza, paralelas às nervuras. Estas lesões necrosadas podem desenvolver e afetar toda a área foliar.

O inóculo da doença persiste nos restos de cultura e são disseminados pelo vento e por respingos de água da chuva. Umidade relativa alta (>90%) e temperaturas entre 25 e 30ºC são condições climáticas ideais para o desenvolvimento da Cercospora.

Controle da Cercosporiose

Igualmente as anteriores, a principal forma de manejo desta doença continua sendo a escolha de híbridos com tolerância à cercosporiose. Além disso, a rotação de cultura é muito indicada, uma vez que o milho é o único hospedeiro da Cercospora zeae-maydis. O controle químico com fungicidas, principalmente o Triazol + Estrobirulina, também tem apresentado boa eficiência no manejo da doença, sendo assim, é recomendada sua aplicação, principalmente na fase de pré-pendoamento.

Cercoporiose na folha da Planta de Milho. (Foto por José Ferreira dos Santos)
Cercoporiose na folha da Planta de Milho. (Foto por José Ferreira dos Santos)

Helmintosporiose

A maior incidência da mancha-marrom, ou helmintosporiose, acontece justamente nos plantios de safrinha, e dependendo do momento de entrada da doença – como ocorrências antes do período de floração, por exemplo – pode haver perdas acima de 50% na produção da lavoura. Os sintomas visíveis da doença são lesões necrosadas, medindo de 2 a 15 cm em formatos alongados. Normalmente iniciam nas folhas mais velhas e é comum observarmos esporulação do patógeno. O patógeno, Exserohilum turcicum, sobrevive em restos de cultura e depende de condições climáticas favoráveis para seu desenvolvimento – temperaturas amenas (18 a 27ºC). Alta umidade e orvalho também são fundamentais para a evolução da doença.

Controle de Helmintosporiose

A escolha de híbridos tolerantes ainda é a principal maneira de prevenir a doença, sempre realizando rotação de culturas nas áreas de plantio.

Helmintosporiose em planta de Milho. (Foto por Leandro Lopes Cancellier)
Helmintosporiose em planta de Milho. (Foto por Leandro Lopes Cancellier)

Ferrugens

Dentre as mais variadas ferrugens que acometem a cultura do milho, destacamos a Ferrugem Polissora como sendo a mais agressiva nos plantios de safrinha, podendo causar perdas superiores a 40% na produção. Os sintomas são pústulas circulares e ovais na parte superior das folhas, com coloração marrom clara. É uma doença que ocorre em condições de temperatura elevada (25 a 35ºC) e alta umidade relativa do ar. Por este motivo a presença da doença é mais comum em regiões com altitude baixa e em anos de maior precipitação.

Ferrugem Polissora em planta de Milho. (Foto por Suelen Speck Just)
Ferrugem Polissora em planta de Milho. (Foto por Suelen Speck Just)

A Ferrugem Tropical ou Ferrugem Branca também é comum nos plantios de safrinha, pois necessita basicamente das mesmas condições que a Polissora para seu desenvolvimento: temperaturas elevadas, umidade alta e baixa altitude. Pústulas de formato arredondado e coloração branca na parte superior das folhas são comuns e facilmente identificadas.

Controle das Ferrugens

A utilização de híbridos tolerantes é fundamental, porém, se o surgimento das ferrugens acontecer em grau mais agressivo, o uso de fungicidas também é um modo eficiente de manejo destas doenças.

Ferrugem Tropical (ou Ferrugem Branca) em planta de Milho. (Foto por Walter Andrade de Santana)
Ferrugem Tropical (ou Ferrugem Branca) em planta de Milho. (Foto por Walter Andrade de Santana)

Podridão de Colmo e Grãos Ardidos

As podridões de colmo e grãos ardidos são causadas por muitos patógenos diferentes e, normalmente, são identificados mais de um patógeno nas áreas com problemas, por isso, não podemos dizer que há uma maneira única de prevenção, mas uma série de fatores deve ser levada em consideração, tais como: sanidade do híbrido, adubação adequada, controle químico das doenças foliares, população correta de plantas e colheita antecipada. Estas ações certamente ajudarão o produtor em todas as circunstâncias em que surgem problemas de colmo ou grãos.

Quando perguntamos a qualquer produtor quais são os principais defeitos de um híbrido, não é muito difícil escutar a resposta “híbrido que cai ou híbrido que arde grão”. Sabemos que existem sim características genéticas, e que alguns materiais trazem uma maior suscetibilidade ou resistência a estes fatores. É para isso que o produtor precisa estar atento e buscar na hora de escolher os materiais que irá plantar.

Conclusão

O produtor deve escolher muito bem os híbridos a serem plantados na safrinha, sempre buscando características com boa sanidade e alta tolerância a enfezamentos e viroses; optar por sementes de boa qualidade fisiológica, preferencialmente, tratadas com fungicidas e inseticidas.

Respeitar o posicionamento recomendado de época de plantio, stand de plantas, utilizar adubação equilibrada e sempre realizar o monitoramento de doenças e pragas na lavoura são algumas práticas bem importantes. Quando necessário, o produtor deverá realizar a aplicação de fungicidas e/ou inseticidas, pois muitas vezes os insetos são vetores ou simplesmente, “abridores de porta” para que as doenças entrem e prejudiquem o resultado final da lavoura.

Fonte de Pesquisa: EMBRAPA Milho e Sorgo

Autor: Vicente Moreira Passarelli, Gerente de Contas da BioGene.