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08/06/2017

A Importância do Vazio Sanitário como Estratégia de Manejo para a Ferrugem Asiática

Este é um termo que vem ficando cada vez mais importante no cenário agrícola brasileiro. Entende-se como Vazio Sanitário, para uma determinada cultura, o período de ausência total de plantas vivas da referida cultura em uma determinada área ou região. A principal função desta prática é evitar ou diminuir a pressão de pragas e ou doenças na cultura referida. No caso do Brasil a principal cultura que possui um período de vazio sanitário devidamente instituído e regulado é a soja. Cujo principal objetivo é a diminuição de inóculo da ferrugem asiática.

A Ferrugem asiática é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi Syd. & P. Syd, seu primeiro relato no continente Americano foi em março de 2001 no Paraguai, logo em seguida, no mês de maio do mesmo ano, foi relatado sua ocorrência no Oeste do Paraná (Yorinori et al., 2002). Apesar de recente nas lavouras sul americanas a ferrugem-asiática já é conhecida no Japão desde 1903, (Henning, 1903). No Brasil devido as condições climáticas, principalmente no cerrado, este fungo se desenvolve de forma muito agressiva, a presença de soja durante praticamente todo ano, tanto como cultura como plantas voluntárias agrava esta situação. Nos Estados Unidos o fungo foi relatado em 2004, porém as condições de inverno rigoroso no meio oeste, grande região produtora de soja, não permite a sobrevivência de plantas de soja voluntárias, sua única hospedeira. Como se trata de um fungo de caráter biotrófico, precisa de hospedeiro vivo, a ausência destas plantas não permite a sobrevivência do patógeno. Esta situação já não é verdadeira para a região sul dos Estados Unidos onde o fungo encontrou boas condições para sua sobrevivência. Nesta região o inóculo começa a aumentar durante a estação de cultivo e atinge a principal região produtora no final da safra, causando danos insignificantes.

Visando a transferência de tecnologia sobre a ferrugem-asiática foi criado em 2004 o Consórcio Antiferrugem, juntamente iniciou-se uma rede de ensaios para verificar a eficiência de fungicidas no controle deste fungo. Uma boa fonte de consulta sobre ferrugem é o website do Consórcio Antiferrugem. Além de informações técnicas sobre a ferrugem nesta página também há informações de monitoramento da dispersão da doença no Brasil, bem como estatísticas de anos anteriores. Também há aplicativos para as plataformas IOS e Android, onde pode ser acompanhado o avanço da ferrugem durante a safra. Atualmente tanto o Consórcio Antiferrugem como o website são coordenados pela equipe da EMBRAPA Soja. Hoje em dia o Consórcio tem cerca de 174 laboratórios cadastrados em seu website, cobrindo grande parte do território brasileiro, empresas publicas e privadas também participam.

Atualmente os estados de TO, MS, MT, MG, GO, PA, PR, RO, MA, SP, BA e o DF adotam o Vazio Sanitário como estratégia de manejo. O agricultor é o responsável em fazer o controle das plantas de soja voluntárias e a área sem o cultivo da soja durante este período, sendo passível de multas. Os estados de GO, MT e PR restringem o plantio da soja até o dia 31 de dezembro. Nosso vizinho o Paraguai também adota o Vazio Sanitário, período este compreendido entre 01/06 a 30/08 (Gráfico 1).

Gráfico 1: Informatívo dos prerídos de vazio sanitário praticados em cada estado brasileiro e Paraguai. Produzido pelo Consórcio Antiferrugem, EMBRAPA.

Lembramos que Vazio Sanitário não resolverá o problema da ferrugem, é apenas mais uma estratégia de manejo. O monitoramento contínuo das lavouras, plantio de variedades adequadas a cada região, rotação de cultura e a intervenção com fungicidas devidamente registrados fazem parte de um manejo eficiente.

Referências

HENNING, P. Einige neue japanische Uredineen IV. Hedwigia Beiblatt, v.42, p.107-108, 1903. Godoy, C.V.; Seixas, C.D.S.; Soares, R.M.; Henning, A.A. Embrapa Soja, Histórico do vazio sanitário como medida de manejo da ferrugem asiática da soja. CP 231, Londrina, Paraná. Abril, 2006. PATIL, V.S.; WUIKE, R.V.; CHIRAME, B.B.; THAKARE, C.S. Viability and survival of uredosporos of Phakopsora pachyrhizi Syd in plant debries under different storage conditions. J. soils and Crops, v.8, n.1, p.16-19, 1998. SIQUERI, F.V. Ocorrência da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) no Estado de Mato Grosso – safra 2004/05. In: JULIATTI, F.C.; POLIZEL, A.C.; HAMAWAKI, O.T. I Workshop brasileiro sobre a ferrugem asiática. Anais. 2005. p.93-100. YORINORI, J.T., PAIVA, W.M., FREDERICK, R.D.& FERNANDEZ, P.F.T. Ferrugem da soja (Phakopsora pachyrhizi) no Brasil e no Paraguai, nas safras 2000/01 e 2001/02. Resumos, II Congresso Brasileiro de Soja, Foz do Iguaçú, PR., 2002a. p.94. WEBSITE do Consócio Antiferrugem, www.consorcioantiferrugem.net.
Autor: Alcides Ita