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Artigos

04/10/2017

Pragas Iniciais na Cultura do Milho Verão

A cultura do milho, especialmente em seu desenvolvimento inicial, está sujeita ao ataque de pragas que podem comprometer o estande da lavoura e, consequentemente, sua produtividade. Entre as pragas de maior impacto, recebe destaque a lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus), a lagarta-rosca (Agrotis ípsilon), a larva-alfinete (Diabrotica speciosa), a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e o percevejo-barriga-verde (Dichelops sp). Neste artigo serão abordadas com maior ênfase as duas últimas que atacam anualmente as lavouras de milho e atingem nível de dano econômico e, por isso, é necessário que o produtor implemente medidas de controle para que o dano seja minimizado.

A lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus), inicialmente, alimenta-se das folhas e após penetra no colmo, logo abaixo do nível do solo, alimentando-se no interior da planta. Os maiores prejuízos são causados nos primeiros 20 dias após a germinação. Em plantas mais desenvolvidas é possível visualizar o sintoma conhecido como “coração morto”, ou seja, folhas centrais mortas facilmente destacáveis, e folhas externas ainda verdes.

A lagarta rosca (Agrotis ípsilon) provoca um dano direto à produtividade do milho pois tem efeito direto no número de plantas finais por hectare. A fase larval, onde pode ocorrer o dano, é de 30 dias e pode atingir plantas com até 50 cm de altura. Assim como a lagarta-elasmo, plantas atacadas pela lagarta-rosca podem mostrar o sintoma de “coração morto”. Cada lagarta pode destruir de 4 a 6 plantas. Geralmente atacam a noite, ficando escondidas abaixo do nível do solo durante o dia, próximo à planta cortada, o que dificulta o seu controle.

O adulto da Diabrotica (vaquinha) faz a postura de ovos na base da planta, próximo ao sistema radicular, com a eclosão, as larvas passam a alimentar-se das raízes o que pode gerar problemas de acamamento na fase de pré ou pós pendoamento (famoso “pescoço de ganso”). A estratégia mais viável é o controle do inseto adulto. Áreas com histórico de diabrotica ou milho pós feijão devem ter monitoramento reforçado.

A lagarta-do-cartucho é considerada a principal praga da cultura por sua ocorrência generalizada e em todos os estádios da planta. A identificação desta lagarta é relativamente fácil pois possui um “Y” invertido na cabeça e quatro pontos pretos equidistantes no dorso. Além do dano na parte aérea, a praga também pode seccionar as plântulas. O manejo deve começar por uma inspeção na lavoura antes da dessecação da área para plantio. Se for constatada a presença de lagartas deverá ser realizada uma aplicação de inseticida junto com a dessecação. O objetivo desta prática é manter a população do inseto em níveis baixos. Nova inspeção deverá ser feita pré-plantio. Isto auxiliará no manejo pois se houver lagartas grandes na área, o controle será mais difícil tanto para inseticidas quanto para a biotecnologia Bt. Se tiver plântulas seccionadas antes do estádio V3, provavelmente o dano foi realizado por lagartas remanescentes na lavoura, visto que uma lagarta levaria pelo menos 12 dias para atingir a fase de terceiro para quarto instar, quando tem potencial para fazer o dano e furar as folhas. Caso no monitoramento for observada a ovoposição no desenvolvimento inicial da cultura, em V2, por exemplo, pode ser um indicativo de como será a pressão da praga, o que permite ao produtor o controle já nessa fase, uma vez que nos primeiros instares o controle é mais eficiente e o dano é apenas raspagens e não folhas furadas.

O surgimento de híbridos de milho Bt trouxe uma inovação no controle desta praga, contudo, esta ferramenta deve estar sempre associada a outras formas de controle presentes no MIP/MIR (Manejo Integrado de Pragas e Manejo da Resistência de Insetos), que são: manejo das plantas daninhas, controle de milho voluntário, Tratamento de Sementes Industrial, monitoramento do nível de dano, rotação de culturas e adoção do refúgio estruturado efetivo.

 

Fase ideal de controle da Lagarta do Cartucho


 


 


Já os danos de percevejos são provocados através da introdução de seu estilete próximo a base das plantas para sucção da seiva. À medida que eles se alimentam, injetam uma toxina que faz com que, conforme as folhas se desenvolvem, as lesões em forma de círculos equidistantes aumentem, as plantas fiquem amareladas, deformadas e com o desenvolvimento comprometido (dependendo da quantidade de toxina injetada). Segundo Josemar Foresti e Paulo Roberto da Silva, em estudo de avaliação de controle da praga, perceberam que os primeiros 10 dias após a emergência é o período de maior suscetibilidade do milho ao ataque do percevejo, embora danos com menor intensidade foram verificados até os 24 dias após a emergência. Infestações de V6 em diante não resultaram em perda significativa na produtividade. Os dados também demonstraram que quanto maior o tempo de exposição da praga no estádio suscetível da cultura, maior será o dano. A intensidade do ataque de percevejo pode comprometer a produtividade, pois além de reduzir o estande de plantas interfere em seu desenvolvimento, originando plantas dominadas e/ou afetando a formação da espiga.

O percevejo é uma praga que tem tido um aumento populacional na cultura do milho verão, ano após ano. O dano só é percebido após o desenvolvimento da plântula, com o desenrolar das folhas, uma vez que no momento da picada elas estão enroladas dentro da planta. É preciso monitorar a área para decidir se será feito uma pulverização com inseticida sobre a palhada ou logo após a emergência. O tratamento de semente com produtos específicos, como os neonicotinóides, deve ser usado como uma ferramenta auxiliar após o controle preventivo realizado antes da implementação da cultura. Se a pressão for alta (1 percevejo vivo a cada 10 plantas amostradas na linha e em sequência) até o estádio V3, é necessário controle via aérea.

 


 

Danos leves em folhas atacadas por percevejo barriga-verde.


 


O ponto mais importante, de acordo com o MIP/MIR, é o monitoramento constante da lavoura. Além disso, a tecnologia Leptra® de proteção contra insetos e o Tratamento de Sementes Industrial, oferecidos pela BioGene, quando associados às boas práticas de manejo auxiliam no controle das principais pragas da cultura do milho.

Referências:

Artigo publicado pela DuPont Pioneer. Minha Lavoura tem Percevejos: O que Fazer? - Fabricio Ferreira Viana
Artigo publicado pela DuPont Pioneer. Período Suscetível do Milho ao Ataque do Percevejo-Barriga-Verde e o Efeito do Tratamento de Sementes Industrial para Controle - Josemar Foresti e Paulo Roberto da Silva
Artigo publicado pela DuPont Pioneer. Controle de Pragas Iniciais na Cultura do Milho - José Carlos Cazarotto Madaloz
Descrição Larva-alfinete, Diabrotica speciosa, Embrapa Milho e Sorgo
Descrição Lagarta-elasmo, Elasmopalpus lignosellus, Embrapa Milho e Sorgo



Autor: Ricardo Batistti, Gerente de Contas da BioGene