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07/11/2017

Quais são e Como Controlar as Principais Pragas da Cultura da Soja?

Devido a este aumento de área cultivada de soja no Brasil, os problemas fitossanitários também aumentaram e o controle de insetos continua sendo um grande desafio para os sojicultores das mais variadas regiões.

A introdução da tecnologia Bt na soja, assim como no milho, teve uma rápida aceitação por parte dos agricultores, porém, esta não é a solução para todos os problemas, é importante frisar a necessidade da adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP) e do Manejo de Resistência de Insetos (MRI).

Existem, atualmente, inúmeras pragas que atacam a cultura da soja e que estão amplamente distribuídas e adaptadas às regiões produtoras. A ideia não é acabar com a população de determinada praga, mas sim, manter sua população abaixo dos níveis que podem causar dano econômico, manter a população de inimigos naturais e também utilizar inseticidas de maneira racional.

Dentre as principais pragas da cultura da soja podemos destacar os percevejos (figura 1) como sendo uma das pragas mais agressivas e prejudiciais para a cultura, isso devido ao seu dano acarretar problemas na produtividade, desenvolvimento e também na qualidade do produto final, isso ocorre com muita frequência quando temos ataque de percevejos nas vagens e grão da soja em formação. Os percevejos mais comuns são o percevejo marrom-da-soja, o percevejo-verde-pequeno e o percevejo-verde. Os danos são causados pela introdução do aparelho bucal (estiletes) nas vagens, o estilete pode atingir os grãos em desenvolvimento causando danos irreversíveis. Estes grãos ficam menores e enrugados, e ainda podem apresentar doenças fúngicas que são transmitidas durante a alimentação do inseto.

Figura 1: Percevejo-barriga-verde. Foto: Claudinei Kappes

Os ataques podem ocasionar o abortamento de vagens, e em estádios mais tardios podem afetar a produtividade e qualidade dos grãos ou sementes, pois provocam alterações nos teores de proteínas e óleo. Um ataque mais severo pode causar distúrbios fisiológicos nas plantas, o que retarda e torna a lavoura desuniformizada para a colheita. Este efeito é comumente conhecido como soja louca.

Em relação às lagartas, são muitas as que atacam a cultura, porém, há grande ajuda no controle de algumas com a tecnologia Bt. Entre as lagartas controladas (figura 2) pela biotecnologia estão a Lagarta-da-Soja, a Lagarta-Falsa-Medideira, a Broca-das-Axilas, e a Lagarta-das-Maçãs, além de apresentar supressão sobre a Lagarta-Elasmo e Helicoverpa, entretanto, a tecnologia Bt não apresenta mortalidade em lagartas do complexo Spodoptera. Por este motivo é imprescindível realizar o monitoramento e manejo de lagartas mesmo em áreas de soja Bt.

Figura 2: Lagarta-das-Maçãs. Foto: Lucas Bochnia

As lagartas, de um modo geral, são amplamente conhecidas, podem se alimentar de plântulas, causando a sua morte e, consequentemente, redução de estande, além disso, também podem se alimentar de folhas e vagens, causando redução de potencial produtivo.

Em algumas regiões também temos visto um ataque severo da Mosca Branca (figura 3) na cultura da soja. Este pequeno inseto pode causar um grande estrago, uma vez que se trata de sugadores e podem transmitir viroses em leguminosas. Devido a condições climáticas, observa-se com maior incidência em regiões da Bahia, Maranhão, Mato Grosso e Goiás, e devido ao clima mais frio, ainda com menor pressão, nas regiões do Sul do país. Esta praga possui grande dificuldade de controle devido a reinfestações que ocorrem, principalmente por populações de áreas vizinhas e de lavouras em diferentes fases de plantio, algo bem semelhante ao surto de cigarrinha presente na cultura de milho nos últimos anos.

Figura 3: Mosca Branca. Foto: Walter Andrade de Santana

Outra praga que pode ser encontrada na soja é o Tamanduá-da-Soja. Conhecido também como Bicudo ou Cascudo, este coleóptero pode causar danos à cultura em sua fase larval e adulta.

Várias outras pragas também são encontradas na cultura da soja em quase todas as áreas produtoras do país, como por exemplo, os Ácaros, os Corós-da-Soja, o Piolho-de-Cobra, Lesmas, Caracóis, entre outros. É possível afirmar que o Manejo Integrado de Pragas deve ser sempre realizado e que as boas práticas de manejo devem ser adotadas afim de assegurar uma cultura mais rentável. Como as medidas mais importantes devemos ressaltar e garantir que os passos a seguir sejam sempre realizados:

  • Dessecação antecipada, se necessário, com a adição de inseticida;
  • Uso de sementes certificadas;
  • Tratamento de sementes com inseticida;
  • Plantio de área de refúgio (não Bt);
  • Controle de plantas daninhas e voluntárias;
  • Monitoramento e controle de pragas.

Todas as ações básicas de MIP devem ser adotadas. A utilização de inseticidas nunca deve ocorrer de maneira indiscriminada e sem orientação. Buscar sempre sementes certificadas e utilizar as boas práticas agronômicas são fatores fundamentais para o controle de pragas na cultura da soja e para o sucesso da lavoura.

Autor: Vicente Passarelli, Gerente de Contas para MG/SP