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15/08/2016

Soja sobe forte em Chicago e busca recuperação

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Com números já esperado pelo mercado sobre a nova safra dos Estados Unidos, apesar de grandes e expressivos, o mercado da soja na Bolsa de Chicago inicia a semana em campo positivo e subindo quase 20 pontos na manhã desta segunda-feira (15). O contrato novembro/16, dessa forma, já voltava a atuar na casa ds US$ 10,00 por bushel, com alta de 18 pontos, perto de 7h30 (horário de Brasília).

De acordo com analistas da Reuters Internacional, os baixos preços - resultado das quedas das últimas semanas - ainda atraem os compradores - do produto em si e de algumas posições no mercado, no caso dos fundos de investimento - e acabam sendo importante combustível para os movimentos de altas neste momento. Afinal, apesar da demanda forte, a conclusão da robusta produção norte-americana - sob favoráveis condições de clima no Meio-Oeste - ainda são fator de pressão sobre as cotações.

"A demanda mundial por alimentos está crescendo com força, assim, talvez, o mercado esteja percebendo que a escala de estoques necessária para ser confortável poderia ser ainda maior", afirmou o analista de mercado do Commonwealth Bank da Austrália, Tobin Gorey, em nota.

Nesta segunda-feira, chegam ao mercado ainda dois novos reportes semanais do USDA, um de embarques de grãos e o outro de acompanhamento de safras (às 17h, Brasília), atualizando as condições de lavouras dos EUA. Até a última semana, eram 72% dos campos de soja em boas ou excelentes condições.

Nesta sexta-feira (12), o novo reporte mensal de oferta e demanda chegou e trouxe números realmente impactantes para a nova safra de soja dos Estados Unidos. A estimativa para a produção 2016/17 veio em 110,5 milhões de toneladas, com uma produtividade recorde de 55,45 sacas por hectare. Embora bem mais elevadas do que as projeções de julho, muitas expectativas do mercado já sinalizavam esse potencial.

"Foi uma surpresa, mas pelo que vinha acontecendo, pelas condições de lavouras, já se poderia esperar que o USDA ajustaria esses números, mas ele ajustou de maneira bem forte", explica o diretor de commodities da INTL FCStone, Glauco Monte. E apesar disso, o refflexo do relatório sobre o mercado futuro norte-americano foi bastante limitado nesta sexta-feira (12).

Os principais contratos fecharam a sessão na Bolsa de Chicago com oscilações que não chegaram nem mesmo aos 3 pontos. O setembro/16, indicativo para o mercado spot, terminou o dia com US$ 9,99 por bushel, recuando 2,75 pontos. Já o novembro/16, referência para a safra americana, encerrou os negócios cotados US$ 9,81, perdendo somente 2,25 pontos.

A limitação das baixas, ainda segundo Monte, se deu também com dados do reporte do USDA, porém, do lado positivo, com informações da demanda. Os números tanto de exportações quanto do esmagamento norte-americano de soja foram revisados para cima, ficando em, respectivamente, 53,08 milhões e 52,8 milhões de toneladas.

"A demanda é algo crescente, constante e que vem fazendo seu papel. Tivemos safras recordes e elas foram consumidas. Os EUA devem bater recorde de exportação, e a China vem aumentando suas importações de 5 a 10 milhões de toneladas ano após ano", completa o executivo da FCStone. "E a demanda nos níveis atuais dá um bom suporte para os preços atuais, mesmo com grandes safras confirmadas", diz.

A força da demanda pôde ser observada ainda no expressivo corte dos estoques finais de soja da temporada 2015/16 dos EUA. O número caiu de de 9,54 milhões para 6,95 milhões de toneladas, ficando abaixo do esperado pelo mercado de 7,76 milhões a 10,07 milhões de toneladas. Ao mesmo tempo, aumentou sua estimativa para as exportações de 48,85 milhões para 51,17 milhões de toneladas.

"Se realmente for confirmada a safra dos números desta sexta-feira, o mercado ficará acomodado, oscilando ao sabor da demanda e à espera do quadro climático na América do Sul. Acredito que a demanda seja o pano de fundo, que vai perdurar ao longo do tempo, já o clima dará sinalizações de curto prazo. A demanda forte elevou o grau de sensibilidade dos preços e pequenos transtornos climáticos, uma vez concretos, podem provocar oscilações mais agudas", explica o analista de mercado e economista Camilo Motter, da Granoeste Corretora de Cereais.