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30/08/2016

Cultivo Consorciado: Prática ajuda sojicultor a colher 20% mais em período de seca

Produtores de soja da região de Londrina participam, até 6 de setembro, de três tardes de campo para conhecer experiência prática que está ajudando a melhorar a conservação do solo e da água, aumentar a rentabilidade da cultura e ainda diminuir riscos de perdas de safra por estiagens. O trabalho realizado pela Secretaria de Estado da Agricultura, Emater e as cooperativas Cocamar e Cofercatu tem apoio de Iapar, Embrapa/Soja e prefeituras e acontecerá nesta terça-feira (30/08), em Cafeara, na quarta-feira (31/08), em Sertanópolis, e no dia 6 de setembro, em Cambé.

Segredo -Segundo o coordenador regional da Emater, engenheiro agrônomo Ildefonso José Haas, o grande segredo é o produtor manter durante todos os meses do ano o solo protegido com plantas em vegetação ou palhadas. "Aqui é uma região quente e a saída foi buscar o cultivo consorciado do milho safrinha com o capim brachiária. O capim é semeado nas entrelinhas junto com o milho. Depois da colheita, a brachiária continua se desenvolvendo deixando o solo coberto e segurando o desenvolvimento de ervas daninhas".

Produtividade maior - O extensionista explica que a elevação do teor de matéria orgânica em 1% no solo resulta na colheita de até 30 sacas de soja por hectare a mais numa safra. "No sistema mais tradicional usado hoje, são necessários cerca de 20 anos para se atingir esse resultado, com esse cultivo consorciado é possível elevar em 1% o nível de matéria orgânica em apenas oito anos."

Referência - O Paraná chegou a ser referência mundial em conservação de solos e água no anos 80. Com o desenvolvimento da tecnologia do plantio direto, os produtores passaram a desprezar o terraceamento em nível e a erosão voltou a ser problema. Ildefonso conta que a causa disso tudo é a compactação do próprio solo e a pequena quantidade de matéria seca em sua superfície. "O que estamos mostrando é que cultivada com o milho, a brachiária não apenas garante essa palhada para a proteção do terreno como, ainda, graças ao seu sistema radicular, melhora a capacidade de infiltração da água da chuva. Ela deixa o solo mais poroso".

Escorrimento e erosão - Ildefonso detalha que do jeito que a maioria dos produtores faz o cultivo da soja, uma chuva superior a 25 milímetros por hora já provoca escorrimento e erosão. A prática que eles estão mostrando permite ao solo reter toda a água de uma chuva de até 60 milímetros por hora. "É um recurso natural que fica na lavoura dando às plantas capacidade para resistir mais tempo a uma estiagem. Também evita a erosão e o carregamento de nutrientes da lavoura para os rios".

A mais - Segundo ele, em tempo de seca, as plantações de soja realizadas em cima de palhada de capim brachiária produzem em média 20 por cento a mais. Outro benefício, conseguido com o cultivo do capim com o milho é o controle de plantas invasoras, que em função do sombreamento encontram mais dificuldade para emergir.

Área - A região de Londrina tem cerca de 15 mil hectares de soja cultivados em cima de resteva de milho safrinha e brachiária. Cambé, Londrina e Rolândia são os municípios com maior número de produtores adotadores dessa técnica.