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29/09/2016

Pirataria de sementes causa prejuízo de R$ 2 bilhões por safra

A pirataria de sementes provoca a perda de R$ 2 bilhões por safra, segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass). Para evitar o prejuízo, o setor quer a conscientização dos produtores e mais rigor nas fiscalizações.

Dos 33 milhões de hectares de soja no Brasil, 30% são plantados com sementes piratas, segundo a Abrass. De acordo com o presidente da associação, Marco Alexandre Bronson, quem sai perdendo é o próprio produtor, já que as multas podem chegar a 250% do valor apreendido e, quando há biotecnologia inserida na semente, o agricultor é obrigado indenizar pagando 7,5% do valor da produção.

“Quando ele faz essa conta, vê que não tem muita diferença comprar semente certificada ou fazer toda essa economia e ainda correndo todos os riscos. Trinta por cento que você deixa de arrecadar não parece ser muita coisa, mas realmente chega a afetar a pesquisa e o prejuízo lá na frente é ter variedades menos resistentes, menos produtivas e, talvez, que coloquem em risco até a segurança alimentar”, disse Bronson.

O produtor de sementes de soja Márcio Binotti, que está no setor há mais de duas décadas, registrou nos últimos três anos uma queda de 20% nas vendas. Ele acredita que a redução está relacionada à pirataria e reivindica por uma fiscalização mais eficaz. “A gente exige, através das associações, que as agências de agricultura do estado fiscalizem mais, pois quando se pune um, dois produtores, com certeza os outros ficam receosos e vão pensar muitas vezes antes de plantar sementes piratas”, analisou.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, declarou que o governo está empenhado em combater a pirataria de sementes e defendeu a atuação da Polícia Federal nesses casos. “Se alguém tem alguma evidência de que algum produtor esteja comercializando sementes, por favor nos avise que nós não teremos nenhum receio de botar a Polícia Federal em cima para resolver esse assunto”, disse.

As sementes piratas costumam custar, em média, entre 30% e 40% mais barato do que as certificadas, mas o preço atrativo pode esconder armadilhas. Especialistas alertam para a baixa produtividade e para o risco de pragas e doenças que o produto pirateado pode carregar.

“O principal risco que o produtor corre quando compra uma semente pirata é não ter qualidade na semente e, consequentemente, produzir menos. A semente pirata pode, sim, estar levando uma doença, já a semente certificada, além da qualidade física, fisiológica e genética, tem a qualidade sanitária”, disse a engenheira agrônoma Giselli Camilo.

Riscos

Até quem comprou uma semente certificada precisa tomar alguns cuidados para preservar a qualidade do produto. Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Semente de Mato Grosso (Aprosmat), Carlos Augustin, o transporte adequado e a armazenagem na fazenda são pontos fundamentais.

“É preciso esclarecer o motorista que ele está levando um ser vivo debaixo da lona do caminhão. A lona não pode estar furada e a carroceria não pode estar cheia de pregos, para não rasgar os sacos. Ele também não pode passar o fim de semana em casa, com a semente no sol por dois dias, até chegar ao destino”, disse Augustin.

Autor: Manaíra Lacerda