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03/11/2016

Mulheres do agronegócio pedem passagem

Um contingente da ordem de 650 mil mulheres, empreendendo ou desenvolvendo trabalhos executivos em um setor visto tradicionalmente como masculino, e o curioso é que muitas delas – segundo o estudo – nem sequer se percebem assim, como gestoras de um negócio ou de um sistema produtivo, embora exerçam a liderança em operações desse tipo.

Isto por si só já é um fato razoavelmente disruptivo, na tradição do agronegócio. Mas a pesquisa revela ainda outro aspecto interessante: 55% das mulheres gestoras do agro fazem uso regular da internet e das mídias sociais e – dentro desse grupo – 60% fazem “posts” diários nas redes. Enquanto isso, o uso regular das redes está em 48% na média brasileira, ou seja, no novo mapa decisório do campo, o comando feminino vem crescendo e vem casado com maior inclusão digital, formando uma combinação de alto potencial transformador.

Mas a perspectiva de um novo estilo gestor por parte dessas mulheres vai além, pois segundo os resultados da pesquisa 83% das gestoras do agro participam de organizações de integração ou articulação sócio econômica – como cooperativas, sindicatos e associações profissionais ou setoriais. De acordo com o estudo, em média cada uma participa de mais de uma entidade (na verdade, 1,5 conforme o levantamento), indicando um perfil de gestora conectada no mundo digital e na mobilização social. Hiper participativa.

Ainda segundo as conclusões da pesquisa, as mulheres gestoras do agro equacionam melhor a sucessão familiar, pois treinam mais os filhos para gerenciar os negócios, enquanto os homens costumam deixar isso um pouco de lado. E elas também manifestam uma visão mais holística sobre suas atividades e empreendimentos, ponderando que os bons resultados do seu trabalho tem que beneficiar a todos – da própria família a seus pares do campo e às populações das cidades.

Perguntadas sobre os aspectos que mais poderiam impactar positivamente o progresso e o crescimento de seus negócios, as três coisas que receberam maior número de citações foram: genética (57%); rotação de culturas (55%); e ILPF – Integração Lavoura Pecuária Floresta (54%). São fatores hoje associados a uma gestão moderna da produção agropecuária, indicando que as nossas gestoras do agro estão com a cabeça no século XXI. Mais ainda: denotam atitude realizadora e foco forte em seu trabalho, sem buscar bodes expiatórios em outras dimensões de governança ou da sociedade.

Parecem mais sensíveis à mudança, mais permeáveis, e tentam fazer as coisas de um modo diferente, experimentando e testando novas alternativas, com tranquilidade e mais ousadia. É o que diz a pesquisa. Tudo temperado com um olhar mais social na condução das equipes e nas opções estratégicas de negócios. “Acho que o agro está ganhando uma nova geração de ‘locomotivas expressas’ dos negócios”, resumiu a coordenadora da pesquisa, Adélia Franceschini. E eu ainda acrescentaria: são mulheres que tem pressa, conscientes, dispostas a brigar mais por seus planos e pela sustentabilidade.

¹“Perfil das Mulheres do Agronegócio / 2016”, pesquisa organizada por Transamerica Expo Center e PWC, realizada pelo instituto Fran6 e divulgada no I Congresso Brasileiro de Mulheres do Agronegócio – São Paulo, 25/10/2016.

Autor: Coriolano Xavier, Vice-Presidente de Comunicação do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM