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14/11/2016

Soja: Oeste e médio norte na reta final

Com sete semanas de trabalhos praticamente ininterruptos em Mato Grosso, a semeadura da safra 2016/17 de soja começa e entrar na reta final nas principais regiões produtoras do Estado, como o oeste e o médio norte. Nessas porções mato-grossenses a cobertura ultrapassa a 90% da área destinada à oleaginosa. No ano passado, o mês de outubro foi perdido em razão da forte estiagem e o plantio se concentrou bastante durante o novembro e os trabalhos levaram 15 semanas para serem concluídos.

Conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a primeira semana de novembro terminou com 80% da área estimada no Estado – 9,36 milhões de hectares – plantada com soja. Na região oeste, onde o plantio teve início na segunda quinzena de setembro, logo após o Vazio Sanitário, mais 98% da área de 1,11 milhão de hectares já receberam as sementes. O oeste é o local mais adiantado de Mato Grosso e está 17,47 pontos percentuais (p.p.) à frente do que o Imea registrava no mesmo momento do ano passado.

A segunda região mais acelerada em Mato Grosso é o médio norte. Dos mais de 3,16 milhões de hectares estimados nesse ciclo, 93,93% estavam semeados até o último dia 5. Na comparação anual, o ritmo em 2015 era menor, com apenas 71,38% da superfície semeada.

Com relação à evolução, o noroeste mato-grossense é a região onde as plantadeiras mais aceleraram nas últimas semanas. Na variação anual, a área semeada até o início desse mês é o dobro do que se registrava em 2015. Dos 602,75 mil hectares, 86,60% estão plantados contra 34,45% do mesmo momento do ano passado, ganho de ritmo de 52,16 p.p.

Em Mato Grosso, dos 9,36 milhões de hectares que devem ser plantados nessa safra - conforme estimativa do Imea -, 80,27% estavam semeados com soja até o final da semana passada contra 60,97% há um ano. A evolução anual é de 19,30 p.p. e equivale a quase 7,5 milhões de hectares cultivados.

Técnicos e analistas do Imea reforçam que a atual semeadura segue registrando ritmo inédito para o período em grande parte do Estado. “As únicas exceções ocorrem nas duas regiões mais atrasadas, a nordeste e a norte, mas que, ainda assim, vêm registrando percentuais acima da média dos últimos cinco anos. As previsões climáticas indicam bons volumes de chuvas durante o desenvolvimento da planta e, aliadas ao ritmo de cultivo bastante adiantado nesta safra, trazem expectativa positiva com relação aos rendimentos a campo da nova safra”. Como reforçam, a continuidade das projeções positivas está atrelada à consolidação de chuvas durante o desenvolvimento das plantas, como também ao impacto da forte temporada de chuvas na colheita. “O resultado da nova safra depende dessas variáveis de peso. O plantio começou muito bem e segue em com boas perspectivas”.

Planejamento – O Imea destaca ainda que os produtores que estão na reta final do plantio, ou que encerraram a etapa, têm os olhares e as atenções voltadas ao desenvolvimento das plantas e ao planejamento da colheita.

Considerando essa nova condição da sojicultura, o Imea realizou a sua previsão do potencial de soja apta a ser colhida em cada semana com base nos percentuais semeados e no ciclo das sementes utilizadas em cada região. “Se forem desconsideradas quaisquer interferências climáticas nos trabalhos a campo, os dados apontam para um potencial adiantamento da colheita em janeiro, diferentemente do ocorrido nos anos anteriores”, pontuam. Esse potencial também deverá fazer muita diferença e aquecer as exportações estaduais já em fevereiro.

Além disso, na primeira semana de fevereiro, a previsão indica algo inédito: a possibilidade de se colher por dia cerca de 250 mil ha, e com a primeira quinzena de fevereiro podendo ter mais de 5,2 milhões de ha de soja já fora do campo. “Apesar das boas perspectivas, um clima adequado no início de 2017 e grande quantidade de máquinas serão determinantes para a consolidação dos dados”, advertem.

Boas expectativas - De acordo com as previsões climáticas falta de chuvas não será um problema na nova safra. Para os próximos meses, conforme o Imea, são aguardados volumes consideráveis de chuvas, favorecendo o desenvolvimento reprodutivo da cultura. Em janeiro, mês em que a colheita tradicionalmente se inicia em Mato Grosso, se observa o maior volume pluviométrico entre os quatro meses analisados, o que poderá refletir na colheita, no entanto, favorece as lavouras que ainda estarão em fase de desenvolvimento, como será o caso da maioria dos municípios na região nordeste. “Ao que tudo indica, a nova safra tende a apresentar bons volumes de precipitação, assim, as atenções se voltam para possível concentração destas chuvas no período de colheita”, alertam os analistas do Imea.