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20/02/2017

Em 2017, vai dar muita soja até na areia

Solos arenosos, considerados marginais para produção de soja, ganham centro de estudos em MT.

A safra 2016/2017 dá sinais de que será boa em Mato Grosso também nos solos arenosos. De acordo com Leandro Zancanaro, pesquisador da Fundação MT, é difícil precisar qual a extensão dessas áreas no Estado ou se elas se concentram mais em uma região do que em outra. “O que se sabe é que os solos arenosos estão espalhados por toda parte e eu estimo que dos 9,5 milhões de hectares plantados em Mato Grosso, em torno de 2 milhões tenham essa característica”, diz. Melhores de serem cultivados quando há mais chuva, porque drenam muito bem a água, segundo Zancanaro, este ano os solos arenosos não devem decepcionar.

Roseli Gianchini, produtora e vice-presidente da Aprosoja na região Norte, acredita que irá colher nas fazendas do Grupo Gianchini, no município de Cláudia, MT, 60 sacas na areia, enquanto a produção em áreas argilosas deve passar das 65 sacas, o que só é possível por conta do manejo que se faz. “Ao plantar na areia, você precisa entender a fertilidade do solo, precisa ter palhada, estimular a microbiota, ter matéria orgânica”, afirma. Por isso, além da soja, o Grupo Gianchini tem gado nas propriedades e, onde não planta milho ou capim, aproveita para manter áreas de cobertura com milheto.

Antenor Massaki Utida, da Fazenda Três Marcos, em Campo Novo do Parecis, MT, também diz que é preciso fazer o dever de casa, e hoje, com correção de solo, palhada e uso de variedades específicas para a areia, consegue colher nessas áreas - em ano bom, destaca - 50 sacas. “Eu vejo que a gente precisa aprender a lidar com esses solos, porque uma característica não só da propriedade que eu cultivo, mas de Mato Grosso, em geral, é que nem toda a terra tem a mesma aptidão”, diz.

No condomínio familiar em que planta soja, de um total de 6.300 hectares, Utida estima que 30% sejam de solos arenosos. “Se a chuva não for demais, podemos ter boas produtividades esse ano”, afirma. “A questão é que nem sempre o clima ajuda, e quando falta chuva, principalmente, a gente pode colher de 20 a 30 sacas”, diz Roseli.

Parceria Aprosoja-Fundação MT - Em busca de respostas sobre como fazer o manejo desses solos, a Aprosoja firmou com a Fundação MT uma parceria, que traz também em 2017 seus primeiros resultados. Com investimento de R$ 2,5 milhões, foi estabelecida em Campo Novo do Parecis, MT, uma área experimental de 64 hectares em que pesquisadores da Fundação desenvolvem seus trabalhos.

As linhas de pesquisa giram em torno do manejo de solos, pragas, doenças e nematoides, e buscam mostrar alternativas que deem “esperança”, nas palavras de Zancanaro, para a produção na areia.

Segundo o pesquisador, o Centro de Aprendizagem e Difusão (CAD) Parecis, que fica localizado na Fazenda Vô Arnaldo, da Agropecuária Agroluz, é por si só um desafio, que quer dar ao produtor maior segurança na exploração desse tipo de terras. Com contrato de 10 anos, a parceria pode trazer resultados positivos ou negativos, mas trará uma resposta.

“Hoje, o que temos como hipótese é de que o manejo mais adequado para os solos arenosos não condiz com o plantio de culturas anuais. Mas será com culturas perenes? Quais? Talvez a pastagem, a integração lavoura-pecuária ou a floresta em alguns casos, mas pode ser também que a restrição seja tanta que, dependendo da situação, a melhor alternativa para o produtor seja não cultivar nada”. O primeiro evento aberto ao público no CAD Parecis aconteceu nesta sexta-feira, 17, e a ideia é que se repita anualmente.

Autor: Marina Salles
Fonte: Portal DBO